A relação do conatus primus com o bellum omnium contra omnes
Uma leitura da geometria política hobbesiana
DOI:
https://doi.org/10.38128/cienciayfilosofa.v1i01.2Palavras-chave:
Hobbes, ontologia, método, epistemopolítica, connatoResumo
Contribui-se para a polêmica em torno da sistematicidade da filosofia hobbesiana ao apontar dois momentos relevantes: interpretações de caráter ontológico e interpretações de caráter ideológico. Estas últimas atribuem valor sistêmico em função de posições ideológico-políticas que negligenciam a importância de uma ontologia incipiente em Hobbes. Este artigo analisa a relação entre o *conatus primus* (impulso originário) e o *bellum omnium contra omnes* (guerra de todos contra todos) na filosofia de Thomas Hobbes, propondo uma "geometriopolítica" como chave de sistematização. Diante das interpretações modernas — que costumam separar sua filosofia política de sua ontologia —, o autor resgata leitores clássicos como Spinoza, Hegel, Marx e Darwin, os quais integraram aspectos do sistema hobbesiano em suas próprias teorias sem forçar uma sistematização global. Destaca-se que o *conatus primus*, desenvolvido em *De Corpore*, representa uma ontologia materialista na qual os indivíduos lutam por sua existência, enquanto a guerra de todos contra todos, presente desde suas primeiras obras, expressa o conflito inerente à condição humana. A "geometriopolítica" surge como uma hierarquia de poder na qual os *conatus* se organizam dialeticamente, transitando do estado de natureza para o estado político mediante o reconhecimento de direitos e a instauração de um soberano. A conclusão ressalta que as interpretações contemporâneas, ideologizadas, obscureceram essa relação, ao passo que os clássicos ofereceram leituras mais criativas e menos preconceituosas, permitindo compreender a atualidade da dialética hobbesiana entre necessidade, liberdade e poder.
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